
Mobilização nacional cobra do Senado respeito à vontade da classe trabalhadora e denuncia tentativas de adiar e alterar a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados
A luta pelo fim da escala 6×1 entra em uma nova etapa. Diante das movimentações no Senado Federal para retardar e modificar a PEC que reduz a jornada, trabalhadores e trabalhadoras de todo o país irão às ruas no Dia Nacional de Luta, em 30 de junho, para exigir que a proposta seja aprovada sem retrocessos.
Em Goiás, o Sintfesp-GO/TO, o Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania, a CUT-GO, demais centrais sindicais, entidades representativas e movimentos sociais organizam um grande ato em Goiânia. A mobilização tem como objetivo demonstrar ao Senado Federal que a decisão da Câmara dos Deputados deve ser respeitada e que a classe trabalhadora exige a aprovação integral da PEC do fim da escala 6x1. O horário e o local do ato serão divulgados nos próximos dias.
Senado adota estratégia para retardar a tramitação
Embora a proposta tenha conquistado amplo apoio popular e político, sua tramitação no Senado enfrenta obstáculos. Sem reunir apoio suficiente para impedir a aprovação da PEC, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a articular medidas para prolongar a discussão e tentar alterar o texto aprovado pelos deputados federais.
Segundo informações de bastidores, Alcolumbre já havia manifestado a aliados que preferia evitar a votação da redução da jornada de trabalho durante um ano eleitoral. Com a impossibilidade de barrar a matéria, a estratégia passou a ser adiar sua análise e promover mudanças que possam enfraquecer seu conteúdo, fazendo com que uma eventual promulgação ocorra apenas no segundo semestre de 2026.
Entre as principais iniciativas adotadas estão:
O que está em jogo
A PEC aprovada pela Câmara estabelece o fim da escala 6×1 e cria um processo gradual de redução da jornada semanal de trabalho.
O presidente Lula defendia que os trabalhadores chegassem às eleições de outubro já beneficiados por uma jornada de 42 horas semanais. No entanto, diante das manobras adotadas no Senado, essa possibilidade torna-se cada vez mais distante.
Estudos do Dieese reforçam a importância da medida. O Brasil continua entre os países com jornadas de trabalho mais extensas entre aqueles que possuem legislação trabalhista consolidada. A redução da carga horária está associada a melhores condições de saúde e qualidade de vida, aumento da produtividade e criação de novos empregos.
Tentativas de enfraquecer direitos preocupam entidades
Além do atraso na tramitação, parlamentares da oposição articulam a apresentação de emendas que podem descaracterizar a proposta.
Uma das alterações mais preocupantes seria a retirada da referência aos acordos coletivos na definição das escalas de trabalho, reduzindo o poder de negociação dos sindicatos e enfraquecendo a representação dos trabalhadores.
O Sintfesp-GO/TO alerta que qualquer mudança que elimine direitos ou limite a negociação coletiva representa um grave retrocesso e precisa ser enfrentada por meio da mobilização social e da pressão sobre os senadores, especialmente os representantes de Goiás.
30 de junho será um dia de mobilização em todo o país
As atividades programadas para o dia 30 de junho ocorrerão simultaneamente em diversas cidades brasileiras. A jornada nacional é organizada pela CUT, pelo Fórum das Centrais Sindicais, pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
Em Goiânia, o Sintfesp-GO/TO participa da organização do ato ao lado do Fórum Goiano em Defesa dos Direitos, da Democracia e Soberania, da CUT-GO, das demais centrais sindicais, entidades representativas e movimentos sociais.
A mobilização pretende enviar um recado claro ao Senado Federal: a classe trabalhadora exige que a PEC nº 221 seja respeitada, aprovada sem mutilações e transformada em realidade.
As entidades acompanham permanentemente a tramitação da proposta e destacam que o fim da escala 6×1 também interessa aos servidores públicos federais. A redução da jornada representa mais saúde, melhor qualidade de vida, mais tempo para a convivência familiar e melhores condições para a prestação de serviços à população.
Acompanhe as próximas informações sobre o ato em Goiânia. A mobilização popular continuará sendo decisiva para impedir retrocessos e garantir a aprovação da PEC sem alterações que prejudiquem os trabalhadores.
*Com informações do Sintsep-GO.
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