
O Sintfesp promoveu, no dia 25 de março, uma roda de conversa sobre o tema “Violência contra a mulher em Goiás e no Brasil: como enfrentar?”, reunindo servidoras, servidores e convidados no auditório da entidade. A atividade contou com a participação da professora Lúcia Rincón, integrante do Centro Popular da Mulher e da União Brasileira de Mulheres, que apresentou dados recentes, reflexões e instrumentos de enfrentamento à violência de gênero.
Durante a exposição, a professora abordou diferentes dimensões da violência contra as mulheres, desde formas mais conhecidas — como a violência física e psicológica — até manifestações mais recentes ou menos visíveis, como a violência digital e a chamada violência vicária, conceito que vem ganhando destaque no debate jurídico e social.
O tema ganhou grande repercussão nacional após o caso ocorrido em Itumbiara (GO), em que um pai matou os próprios filhos com o objetivo de atingir e punir a esposa. O crime trouxe aos holofotes essa forma extrema de violência, em que crianças são usadas como instrumento para causar sofrimento à mulher, com o objetivo de puni-la ou controlá-la.
A prática pode envolver ameaças, manipulação psicológica ou até restrição de contato entre mãe e filhos, gerando impactos profundos no núcleo familiar.
Violência vicária e avanços no debate legislativo
O tema também está no centro de debates legislativos recentes. A Câmara dos Deputados aprovou, em março deste ano, um projeto de lei que prevê a tipificação do homicídio vicário no Código Penal e a inclusão do conceito de violência vicária na Lei Maria da Penha. Caso a proposta seja confirmada pelo Senado e sancionada, a medida poderá ampliar a proteção jurídica às mulheres ao reconhecer formalmente essa forma de violência doméstica.
Outro ponto destacado na roda de conversa foi o crescimento das agressões contra mulheres no ambiente digital. A professora apresentou informações sobre a cartilha “Desinformação: Uma das Dimensões da Violência de Gênero”, lançada pelo Supremo Tribunal Federal, que alerta para práticas como a disseminação de notícias falsas, ataques coordenados em redes sociais e divulgação não consensual de imagens íntimas. Essas ações, além de constranger e intimidar mulheres, muitas vezes buscam deslegitimar sua atuação pública ou profissional.
A cartilha também orienta sobre formas de reagir a esse tipo de violência, recomendando que vítimas guardem provas, ajustem as configurações de segurança de suas contas nas redes sociais e procurem apoio institucional, seja por meio de órgãos de segurança pública, Ministério Público ou Defensoria Pública.
Feminicídio e a importância de políticas públicas integradas
Durante o encontro, também foram apresentados dados preocupantes sobre a violência de gênero no Brasil. Levantamentos recentes apontam que os feminicídios seguem em crescimento e que, em grande parte dos casos, os crimes são cometidos por parceiros ou ex-companheiros. A maioria das ocorrências acontece dentro da própria residência, evidenciando o caráter doméstico dessa violência e a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção, proteção e acolhimento às vítimas.
Nesse contexto, também foi destacada a importância do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, relançado recentemente pelo governo federal em articulação com os demais poderes da República. A iniciativa busca ampliar a integração entre Executivo, Legislativo e Judiciário no enfrentamento à violência de gênero, fortalecendo políticas públicas de prevenção, aprimorando a legislação e ampliando mecanismos de proteção às mulheres. O pacto também propõe mudanças na comunicação institucional, colocando maior responsabilização sobre os agressores e convocando toda a sociedade a participar do combate à violência.
A professora Lúcia Rincón destacou ainda a importância da rede de atendimento às mulheres em situação de violência, que inclui delegacias especializadas, centros de referência, casas-abrigo e programas de acompanhamento policial, como a Patrulha Maria da Penha. Esses serviços atuam tanto no acolhimento das vítimas quanto na prevenção de novos episódios de agressão.
Rede de proteção e instrumentos de denúncia
No caso de Goiás, também foram citadas iniciativas como aplicativos e canais de denúncia que permitem registrar ocorrências e solicitar ajuda de forma rápida e segura. Entre eles estão ferramentas digitais que possibilitam o envio de pedidos de socorro, além do registro virtual de boletins de ocorrência por meio da Delegacia Virtual da Polícia Civil.
Outro instrumento relevante mencionado na apresentação foi o chamado “botão do pânico”, recurso utilizado por mulheres que possuem medida protetiva concedida pela Justiça. Ao ser acionado, o dispositivo envia a localização da vítima às autoridades de segurança pública, permitindo resposta mais rápida em situações de risco.
A roda de conversa também destacou a importância de políticas públicas integradas e do engajamento da sociedade no enfrentamento à violência contra as mulheres. Entre os avanços recentes, foram citadas iniciativas nacionais voltadas à prevenção do feminicídio, ao fortalecimento da rede de proteção e à ampliação de mecanismos de responsabilização dos agressores.
Confraternização marcou reunião de aposentados
Além do importante debate sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres, o encontro também contou com um momento de confraternização entre os participantes. Na reunião de aposentados promovida pelo Sintfesp, foram comemorados os aniversários da diretora da entidade Terezinha Aguiar, a “Teca”, e da filiada servidora do Ministério da Saúde Mirtes Geralda Martins.
A celebração teve direito a bolo, salgadinhos, sucos e refrigerantes, em um momento de integração e convivência entre aposentadas, aposentados e dirigentes do sindicato.
Como gesto simbólico de carinho e valorização das participantes, cada mulher presente na reunião recebeu também um vaso de kalanchoe, planta popularmente conhecida como “Flor da Fortuna”. Tradicionalmente associada a votos de prosperidade, felicidade e boa sorte, a lembrança foi oferecida como forma de reconhecer a presença e a importância das mulheres na atividade promovida pelo Sintfesp.
Onde denunciar casos de violência contra a mulher
Ao final da atividade, foi reforçada a importância de que mulheres em situação de violência — ou qualquer pessoa que testemunhe casos desse tipo — saibam onde buscar ajuda e registrar denúncias.
Entre os principais canais disponíveis estão:
• Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, serviço nacional gratuito e disponível 24 horas por dia.
• 190 – Polícia Militar, para situações de emergência ou risco imediato.
• Delegacia Virtual da Polícia Civil de Goiás – permite registrar ocorrências on-line pelo site:
www.policiacivil.go.gov.br
• Aplicativo Mulher Segura (SSP-GO) – ferramenta que permite denunciar situações de violência e pedir ajuda diretamente pelo celular.
• Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) – presentes em diversas cidades.
As denúncias também podem ser encaminhadas ao Ministério Público ou à Defensoria Pública, que oferecem orientação jurídica gratuita às vítimas.
A atividade promovida pelo Sintfesp reforçou que informação, rede de apoio e mobilização social são fundamentais para romper o ciclo da violência e garantir proteção às mulheres. O sindicato reafirma seu compromisso em promover debates, ações de conscientização e iniciativas que contribuam para uma sociedade mais justa, segura e igualitária.
ACESSE AQUI à apresentação SINTFESP Roda de conversa Violência Contra a Mulher
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