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28 de abril: memória, luta e compromisso com a vida no trabalho

Terezinha Aguiar fala sobre o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. No Brasil a data é marcada também como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

 

Por Terezinha Aguiar

 

Das origens da industrialização à luta por direitos

Com o surgimento da máquina a vapor, tem início a Primeira Revolução Industrial, provocando profundas transformações nos processos de trabalho. Esse período, ocorrido entre 1760 e 1850, especialmente na indústria têxtil da Inglaterra, marcou a transição das oficinas artesanais para a maquinofatura — sistema que substituiu o trabalho manual pelo uso de máquinas.

Esse novo modelo ampliou significativamente a velocidade da produção, viabilizou a fabricação em larga escala e promoveu a padronização dos produtos. Ao mesmo tempo, inaugurou uma realidade de intensificação do trabalho e de condições muitas vezes precárias.
Desde então, a classe trabalhadora vem travando uma luta histórica por melhores condições de trabalho, redução da jornada e salários dignos — uma trajetória centenária de resistência e organização.

28 de abril: uma data de memória e conscientização

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), com sede em Genebra, instituiu, em 2003, o 28 de abril como o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. A data homenageia os 78 trabalhadores que perderam a vida em uma explosão em uma mina de carvão nos Estados Unidos, em 1969.

Mais do que uma homenagem, o dia representa um chamado global à reflexão e ao fortalecimento das ações de prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
No Brasil, a data também marca o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, instituído pela Lei nº 11.121/2005.

Responsabilidade coletiva pela vida

Garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis é um dever coletivo. Essa responsabilidade envolve governos, empregadores e trabalhadores, exigindo participação ativa e compromisso com um sistema de direitos que priorize a vida e a dignidade.

Para a OIT, o trabalho decente pressupõe emprego formal, remuneração justa, segurança no ambiente laboral, proteção social às famílias e liberdade para que trabalhadores e trabalhadoras expressem suas preocupações e reivindicações.

Desafios atuais: precarização e retirada de direitos

Apesar desses princípios, a realidade brasileira ainda é marcada por profundas contradições. Em pleno século XXI, o país enfrenta o avanço da precarização do trabalho, agravado pela reforma trabalhista de 2017, implementada durante o governo de Michel Temer, que retirou direitos historicamente consolidados na CLT.

Somam-se a isso os constantes ataques ao Regime Jurídico Único (RJU), que ameaçam direitos dos servidores públicos, e o crescimento preocupante do número de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão. A presença de famílias, inclusive com crianças, em situação de vulnerabilidade nas ruas evidencia a gravidade do cenário social.

Tecnologia, indústria 4.0 e novos impactos no trabalho

Outro elemento central desse contexto é o avanço das tecnologias digitais e da automação inteligente, características da chamada Quarta Revolução Industrial, ou Indústria 4.0.
Essas transformações impactam diretamente as relações de trabalho, ampliando o desemprego tecnológico, aprofundando desigualdades e estimulando formas de contratação precárias, muitas vezes sem vínculo empregatício.

É o caso dos trabalhadores de aplicativos de transporte e entrega, frequentemente levados a acreditar que são “empreendedores”, quando, na prática, estão excluídos de direitos básicos como férias, 13º salário e acesso à previdência social, condicionante obrigatória para o direito à aposentadoria.

Redução da jornada e fim da escala 6x1: uma pauta urgente

Diante desse cenário, o 28 de abril deve ser um momento de mobilização e reflexão profunda. Entre as pautas centrais está a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, medida essencial para a promoção da saúde física e mental dos trabalhadores.

Nesse sentido, ganha destaque a luta pelo fim da escala 6x1 — modelo que impõe seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Essa forma de organização do trabalho é especialmente prejudicial à saúde, sobretudo das mulheres.

A superação dessa escala representa mais dignidade e qualidade de vida, além de potencial para gerar até 4,5 milhões de empregos, contribuindo para o fortalecimento da economia.

Uma luta que exige mobilização permanente

A construção de um trabalho verdadeiramente digno e seguro exige mobilização contínua. Trata-se de uma luta histórica que depende do engajamento de todas as pessoas comprometidas com a justiça social, especialmente do movimento sindical e da classe trabalhadora.

Mais do que lembrar, o 28 de abril é um chamado à ação: pela vida, pelos direitos e por um futuro do trabalho que coloque a dignidade humana no centro.

 

Terezinha Aguiar
Secretária de Relações de Trabalho da CUT-GO, diretora da CNTSS e integrante da Diretoria de Aposentados do Sintfesp-GO/TO


27/04/2026

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